28.11.11

CASA ENTRE VÉRTEBRAS — Fragmento n°30


(30.)
 A construção do nome que nomeia o intervalo, a suspensão da familiaridade com todos os elementos que respiro, é nessa asfixia que há alguma liberdade possível, quase nenhuma. É nessa asfixia que sou um tanto quanto humano sem me envergonhar disso. Foi nessa asfixia que, pela primeira vez, de fato dormi com direito a sonhar, sonhar mesmo, não o sonho construtivo que enseja concretude, mas o sonho, o umbigo implausível, o instante de um exílio sem a menor esperança, ou, para ser mais exato, o sonho sem o menor desejo de estar de volta. Nomear, às vezes, é construir o próprio exílio.


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